sábado, 13 de abril de 2013

Transtorno de Estresse Pós-traumático

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), estado de stress pós-traumático ou ainda síndrome pós-traumática, é um transtorno psicológico que ocorre em resposta a uma situação ou evento estressante (de curta ou longa duração), de natureza excepcionalmente ameaçadora ou catastrófica. O problema é comum em vítimas de sequestro, assalto, estupro, violência urbana, agressão física, terrorismo, tortura, acidentes, guerras e catástrofes naturais.

É natural que qualquer pessoa fique transtornada em situações traumáticas. Entretanto, quando as alterações no sujeito afetam sua vida e sua forma de funcionar no mundo, é preciso procurar ajuda. É preciso estar atento às várias comorbidades que podem ocorrer pelo não tratamento do trauma psicológico. Como por exemplo, os transtornos somatoformes, que são as antigas doenças chamadas psicossomáticas, fibromialgia, cefaleia, os transtornos de ansiedade como a fobia, o transtorno do pânico, o abuso de substâncias, pressão maior.

Trata-se de um transtorno muito comum, porém pouco conhecido. O estresse pós-traumático se diferencia dos demais transtornos de ansiedade e da maioria dos transtornos mentais por ser causado a partir de um fator externo. O aparato mental do homem é capaz de lidar com situações estressantes sem que isso deixe cicatrizes, há, contudo limites a partir dos quais o funcionamento mental fica perturbado. Provavelmente isso ocorre quando os mecanismos de enfrentamento e suporte contra estresse estão fracos ou quando os estímulos são fortes demais. Portanto, pessoas podem vivenciar a mesma experiência e afetar de formas diversificadas. Alguns superam a experiencia com facilidade, outros acabam precisando de ajuda profissional para enfrentar a questão. Muitas vezes, a vida pessoal e profissional do sujeito é afetada, trazendo algum tipo de prejuízo funcional.

Em determinada ocasião, fui assaltada em frente ao local que trabalhava. Era dia, estava aguardando o ônibus sair da frente da garagem, para que eu pudesse entrar no estacionamento com o meu carro. Um jovem se aproximou da janela do carro, exigindo que eu entregasse meu celular. No momento, apenas tremia e não conseguia alcançar rapidamente o lugar onde estava o aparelho. Logo que encontrei, entreguei ao assaltante o objeto e entrei no estacionamento. Meu corpo todo tremia e em minha mente eu revivia os segundos de ameaça repetidamente. Um misto de angústia e raiva me invadia e alterava meus batimentos cardíacos, revivendo repetidamente aquele turbilhão de emoções. Nos primeiros dias após o ocorrido, bastava eu me aproximar do lugar, para que todas àquelas sensações tomassem conta de mim. Com o tempo, superei meus medos e aprendi a tomar algumas providências que evitassem a repetição do ocorrido, tornando minha passagem pelo local um evento comum outra vez. No entanto, fiquei me perguntando como seria se não tivesse conseguido. Como seria enfrentar diariamente aquelas sensações? Será que eu conseguiria voltar a trabalhar no mesmo lugar?  Pois foi a partir dessa experiência que eu percebi como a nossa forma de ver o mundo pode ser transformada por um evento estressante ou uma experiência de catástrofe. Talvez, se eu estivesse em um momento de vida fragilizado, tudo pudesse resultar em um transtorno de estresse pós-traumático. A magnitude do evento e o momento de vida da pessoa, a meu ver, tem toda influência no resultado de experiência semelhante. E, se o tempo não dá conta de nos colocar de volta nos trilhos, certamente é o momento de pedir ajuda a um profissional.

Nosso cotidiano está cercado de ameaças desse tipo: violência, acidentes, abusos, assaltos, catástrofes ocorrem a todo tempo. Como lidar com isso? Como evitar que qualquer desses acontecimentos nos afetem o cotidiano? É claro que existem alguns cuidados que nos ajudam a evitar tais eventos. Mas não estamos de todo protegidos em lugar algum, nem por isso é preciso deixar de viver. Quando um desses eventos nos tranca em um mundo diferente daquele que constumávamos viver, precisamos de alguma ajuda para voltar a vida. O filme SEM MEDO DE VIVER retrata deferentes reações de alguns dos sobreviventes de um acidente de avião. Leia mais clicando aqui.

Em Gestalt-terapia, o trabalho será com a pessoa que vive o transtorno, e, ampliando seu foco para além de seus sintomas. Há, assim, a possibilidade de dar suporte ao cliente, até que ele possa encontrar em si, as ferramentas necessárias para ampliar seu potencial. “Estar com” o cliente é primordial para compreender suas possibilidades. Qualquer ferramenta que o psicoterapeuta use, objetiva estimular a integração do ser, que após ser atingido pela experiência traumática, encontra-se alterado. Para tanto, é importante conhecer como o evento vivenciado está afetando seu funcionamento presente. Considerando cada caso e os possíveis prejuízos que acompanham o cliente, pode ser necessário indicar um psiquiatra para o trabalho em equipe, pois em muitos casos a intervenção medicamentosa pode favorecer o trabalho psicoterápico.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Afinal, o que é dislexia? Como a psicologia pode ajudar?
A dislexia é um transtorno genético e hereditário presente em aproximadamente 10% da população mundial, podendo também ser causada pela produção exacerbada de testosterona pela mãe, durante a gestação.
Muitas vezes confundida com déficit de atenção, problemas psicológicos, ou mesmo preguiça; esse transtorno se caracteriza pela dificuldade do indivíduo em decodificar símbolos, ler, escrever, soletrar, compreender um texto, reconhecer fonemas, exercer tarefas relacionadas à coordenação motora; e pelo hábito de trocar, inverter, omitir ou acrescentar letras/palavras ao escrever.
Indivíduos disléxicos possuem a área lateral-direita do cérebro mais desenvolvida que a de pessoas que não possuem essa síndrome, tendo geralmente, por tal motivo, mais facilidade em questões relacionadas à criatividade, solução de problemas, mecânica e esportes.

Psicoterapia de casal

O filme “Um divã para dois” promoveu a produção deste artigo, que pretende explorar alguns aspectos e possibilidades da terapia de casal.
Algumas pessoas acham que é bobagem fazer terapia e mesmo quando reconheçam a utilidade deste recurso, escondem dos amigos e familiares, muitas vezes por falta de conhecimento sobre o assunto. Atendo casal e família, sei o quanto é difícil compartilhar as suas intimidades com um estranho. Isto também ocorre na terapia individual, mas logo que o vínculo é estabelecido se torna mais fácil. No entanto, na maior parte das vezes, o casal chega ao setting terapêutico já com sua intimidade às avessas, nem eles próprios sabem mais o que é intimidade. Ou seja, são dois estranhos que naturalizaram a intimidade, fazendo do outro um objeto de posse. A comunicação já se tornou falha, ambos olham para o casamento com diferentes perspectivas, que possivelmente estão distorcidas.
Em nossa experiência profissional, encontramos as mais variadas formas de crise em relacionamentos conjugais e/ou em diferentes fases.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

ATENDIMENTO DOMICILIAR, UMA NECESSIDADE.

Diversas situações exigem o atendimento psicológico domiciliar. O motivo pode ser um tipo de sofrimento psicológico temporário ou uma necessidade permanente. Quando ocorre com clientes que estão em crises pontuais, o atendimento não demora a ser transferido para o consultório. Mas existem outras situações que fazem com que o atendimento residencial seja a única opção, seja por incapacidade de locomoção do cliente, uma necessidade familiar ou qualquer outra razão. Diante desse universo tão íntimo do cliente, o profissional se depara com situações que podem dar um contorno facilitador ao atendimento e outras que podem, ao contrário, tornar o trabalho bastante complexo. É preciso ter a real dimensão da disponibilidade do psicólogo frente à necessidade do cliente, para que o vínculo seja estabelecido e o processo terapêutico seja desenvolvido.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Depressão ou tristeza?


A depressão é considerada o mal do século. Uma doença que não se vê. Especialistas defendem que este é um dos principais motivos para tanto preconceito e desconhecimento em relação à depressão, que atinge um em cada oito brasileiros. Depressão não é fraqueza,  trata-se de uma doença que causa alterações químicas no organismo, que resultam em mudanças  psicológicas.
Os pais precisam estar atentos para mudanças de comportamento dos filhos. Quanto antes for identificado os sintomas da depressão, melhor será o tratamento.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

O que está acontecendo comigo?

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Durante o desenvolvimento do ser humano muitas crises  são previstas, outras nem tanto. Fato é que sempre que nosso funcionamento está diferente, seja de outro ser humano na mesma fase ou do que a pessoa era recentemente, há registro de que algo está errado. Sendo assim, quando algo compromete o funcionamento saudável do indivíduo, é hora de procurar o profisional adequado para identificar o que está havendo.
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Muito já foi discutido sobre normal e patológico, considerando a linha tênue que há entre um e outro, além da necessidade de ser considerado o contexto onde o sujeito está inserido. Ainda que exista um quadro classificatório de doenças mentais ou desvios do comportamento saudável, insistimos em lembrar que tal classificação não serve de rótulo para ninguém.
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Entretanto, a classificação das doenças psicológicas nos servem de guia para melhor conduzir o indivíduo a um funcionamento saudável. Muitas vezes, a classificação apenas denota uma forma de funcionar diferente, que quando não identificada pode trazer prejuízos e sofrimentos desnecessários para o indivíduo e seus familiares.
Saber identificar algo errado e procurar a ajuda do profissional adequado pode tornar a vida muito mais fácil, independente da gravidade do caso.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A Alma imoral

Convidada pela colega Rosane Pimentel, fui assistir a peça A ALMA IMORAL. Eram os últimos dias em cartaz, após 6 anos, mas a casa estava lotada e todos aplaudiram de pé. Impossível definir a experiência em poucas palavras, trata-se de uma obra de arte, no melhor sentido do que podemos chamar de arte. O tempo de apresentação é apenas gatilho para muitos outros desdobramentos.

 Diversas sensações, reflexões e tensões são despertadas durante e após a peça. Somos provocados a questionar nossas verdades mais enraizadas, nossas crenças e valores. O enredo é impactante, provocador, revelador, transformador e espetacularmente simples, assim como a vida. A alma imoral é baseada no livro homônimo de Nilton Bonder; Foi explorada, compreendida, vivida e compartilhada – com todo seu ser, de forma magistral – por Clarisse Niskier. A arte que nos toca a alma, nos transforma, não e possível permanecer com a mesma visão de mundo. Alias, mais do que isso, a peça nos faz ter consciência de sermos a própria transformação, a tal “metamorfose ambulante” de Raul Seixas. Sai extasiada e incomodada. Sim, incomodada com alguns espaços estagnados, saí ansiando movimento e sossego, um paradoxo como tantos outros estimulados. Comprei o livro aos poucos vou saboreando cada palavra, viajando em novos desdobramentos. Ainda terei muito a compartilhar sobre tantas desconstruções e novos constructos. Mas, por ora, me satisfaço com a entrevista acima. Quase uma hora de video, mas vale a pena. Confira.